Confederação Brasileira de Vôlei exige sexo biológico feminino para competições, impactando a carreira da oposta Tifanny Abreu.
A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciou, nesta sexta-feira, 14, uma nova e rigorosa política de elegibilidade para suas competições femininas. A medida exige que as atletas possuam sexo biológico feminino, o que pode alterar significativamente o cenário do vôlei nacional.
Esta decisão, alinhada aos critérios do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), estabelece que a verificação será feita por testagem do gene SRY. O objetivo é equiparar os torneios nacionais aos padrões internacionais, garantindo a uniformidade nas regras.
A principal atleta afetada por essa mudança é Tifanny Abreu, oposta do Osasco e única jogadora transexual na última Superliga Feminina. Ela pode ser impedida de competir a partir da temporada 2026/2027, conforme informação divulgada por Estadão Esporte.
A nova política de elegibilidade da CBV
A nova regra da CBV, publicada nesta sexta-feira, 14, determina que as competições da categoria feminina serão exclusivas para atletas que possuem sexo biológico feminino. Essa diretriz está em consonância com a Confederação Sul-Americana de Vôlei (CSV), além do COI e da FIVB.
O comunicado da entidade detalha que a verificação será realizada por meio de testagem e triagem do gene SRY, um método considerado “pouco intrusivo e altamente preciso” pelo médico João Olyntho, presidente do Conselho de Saúde do Voleibol. Exceções são previstas apenas em “condições excepcionais” conforme a política.
Radamés Lattari, presidente da CBV, argumentou que “a decisão da CBV deixa nossos campeonatos equiparados com as competições internacionais”. A aplicação da política começará em torneios como a Supercopa 2026 e Copa Brasil 2027, além do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia e CBVP Challenger, ambos em 2027.
O futuro de Tifanny Abreu no vôlei brasileiro
Tifanny Abreu, de 41 anos, fez sua estreia na categoria feminina em 2017, após receber permissão da FIVB para atuar. Com uma trajetória notável no vôlei italiano e nacional, Tifanny jogou pelo Sesi Bauru e, desde 2021, defende o Osasco, conquistando um título da Superliga e quatro Campeonatos Paulistas.
Além dos títulos nacionais, Tifanny também acumula um vice-campeonato no Sul-Americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes. Sua contribuição para o vôlei feminino é inegável, mas a nova política da CBV questiona sua continuidade nas quadras brasileiras a partir de 2026/2027, já que não nasceu com sexo biológico feminino.
Repúdio do Osasco à decisão da CBV
Em nota oficial, o clube Osasco, equipe de Tifanny Abreu, repudiou veementemente a decisão da Confederação Brasileira de Vôlei. O comunicado ressalta que a mudança foi realizada sem participação ou opinião prévia da equipe paulista, destacando a falta de diálogo da entidade.
O clube fez questão de reafirmar “seu integral apoio a Tifanny neste momento e reforça seu compromisso permanente com o respeito e a valorização de todas as pessoas que fazem parte da sua história”. Essa postura demonstra o respaldo do time à sua atleta diante da controvérsia gerada pela nova regra.
Perguntas Frequentes
O que a nova regra da CBV determina para o vôlei feminino?
A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) determinou que as competições femininas serão exclusivas para atletas que possuem sexo biológico feminino, alinhando-se aos critérios do COI e FIVB. A verificação será feita por testagem do gene SRY.
Quando a política de elegibilidade da CBV entra em vigor?
A política já está em vigor para a temporada 2026/2027 e afetará competições como a Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto) e CBVP Challenger 2027.
Como a nova regra impacta a jogadora Tifanny Abreu?
Tifanny Abreu, atleta transexual do Osasco, pode ser impedida de competir na Superliga Feminina e em outros torneios a partir de 2026/2027, pois não atende ao critério de sexo biológico feminino estabelecido pela CBV.
Qual a posição do Osasco, clube de Tifanny Abreu, sobre a decisão da CBV?
O Osasco repudiou a decisão da CBV, criticando a falta de consulta ao clube e reafirmou seu total apoio a Tifanny Abreu, destacando seu compromisso com o respeito e a valorização de todos os seus membros.

