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Di Grassi fala em alívio após vitória na FE e analisa Bortoleto e Rafa Câmara: ‘Futuro brilhante’

Lucas di Grassi está a quatro corridas de se despedir da Fórmula E. Um dos idealizadores da categoria de carros elétricos, ele está nas pistas da FE há 12 anos

Bee Esportes
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24 de julho de 2026 às 12:55
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Di Grassi fala em alívio após vitória na FE e analisa Bortoleto e Rafa Câmara: ‘Futuro brilhante’

Lucas di Grassi está a quatro corridas de se despedir da Fórmula E. Um dos idealizadores da categoria de carros elétricos, ele está nas pistas da FE há 12 anos e conquistou uma das vitórias mais expressivas da carreira há alguns dias. Prestes a completar 42 anos, o paulistano saiu de último para primeiro com o pior carro do grid em Xangai. Mas o lugar mais alto do pódio não o demoveu da ideia de deslocar o automobilismo para uma posição menos prioritária em sua vida.

Em entrevista ao Estadão, Di Grassi, que vive em Mônaco, projetou seu futuro voltado para uma posição de comando na Fórmula E e na gestão de empresas. O piloto valorizou as conquistas da categoria e avaliou o desempenho dos jovens brasileiros Gabriel Bortoleto, Felipe Drugovich e Rafael Câmara. Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista: Depois de uma de uma corrida dessas, há dois sentimentos: felicidade, mas também de alívio, depois de quatro anos sem vencer, eu passei momentos difíceis com talvez o pior carro do grid (Mahindra e Lola Yamaha). Sempre tentando desenvolver, sempre tentando me aproximar dos outros carros.

Então, não foi fácil manter a motivação, manter o trabalho e essa vitória vem de um resultado, de um fruto de vários anos de luta, continuar acreditando, continuar pensando que eu poderia vencer se o momento chegasse. E em Xangai chegou, a gente fez a escolha certa numa condição mista (chuva com tendência do seco). A gente acabou saindo com um carro um pouco mais com a tendência para o seco. Quando a oportunidade vem você precisa estar pronto, né?

A corrida não foi dada nas minhas mãos. É fechar com chave de ouro esse ciclo da Fórmula E. Não. Tanto que essa vitória agora não muda nada na minha decisão de parar.

Eu vou completar 42 anos antes do fim da temporada, antes da da última etapa de Londres, que é dia 16 de agosto, meu aniversário é dia 11. E eu sempre imaginei parar antes dos 40. Pensei realmente em trocar de profissão durante a pandemia, depois que eu fiquei seis, sete meses sem pilotar nenhum carro e não senti tanta falta, pensei em fazer outras coisas. Então, o automobilismo é uma parte da minha vida, não é minha vida como um todo.

Eu sempre estudei, sempre fiz outras coisas em paralelo. Comecei faculdade, depois eu fiz Harvard durante esses últimos 5 anos, comecei várias empresas, tive a Roborace, de carros autônomos, tive as minhas bikes elétricas que eu fiz no Brasil, e estou no conselho de algumas outras empresas. Eu sempre pensei quando que seria o momento ideal para começar essa nova fase da minha vida, porque quanto antes eu começar também mais tempo eu tenho para fazer o que eu quero desse outro lado. Foi uma decisão que eu tomei em conjunto com a minha família já faz pelo menos um ano.

Obviamente, eu vou continuar correndo, eu vou continuar fazendo uma corrida de GT aqui, outra ali, corrida de dupla de Stock Car, corrida de Porsche. Eu vou correr de kart com meu filho. Obviamente o eu amo automobilismo, vou continuar fazendo, mas deixar de focar 100% no meu tempo. Essa é a ideia.

A ideia é continuar na Fórmula E. Ainda entre uma equipe e a organização, não tá muito claro qual seria o próximo passo. Mas sem dúvida a ideia é tentar melhorar o campeonato como um todo. Sem dúvida.

Imaginar, quando começamos, que a Fórmula E duraria 12 anos seria uma expectativa otimista. Nenhuma categoria de fórmula durou mais do que um ou dois anos. Este momento, com apoio da Liberty, com grandes equipes que passaram como Porsche, Jaguar, Nissan, BMW, Yamaha, Audi, Mercedes, DS... Está na hora de um novo passo.

O carro de fórmula elétrico está mais rápido que o carro a combustão. A Fórmula E tem muito espaço para crescer. Não, mas eu acho que vai acontecer quando ficar mais barato e melhor. A maioria dos karts indoor agora são elétricos.

Nos Estados Unidos, lá o K1, que é uma cadeia gigantesca, é tudo elétrico. A maioria dos karts novos são elétricos. Por quê? Porque tem o fator ambiental, tem o fator regulatório, mas também tem o fator custo.

Mais barato você simplesmente recarregar o kart do que ficar com trocando combustível, trocando corrente, trocando óleo no motor a combustão. Isso tá acontecendo com os carros de rua. Quem é motorista de aplicativo já está comprando BYD Dolf Mini, que é o carro mais vendido do varejo no Brasil. Então, vai precisar de mais anos para acontecer isso, mas naturalmente vai trazer uma categoria de base.

Eu não acho que a gente precisa necessariamente criar uma categoria de base. Os pilotos já estão bem preparados, a Fórmula 2 é uma excelente escola. A gente tem pilotos excelentes agora. O próprio Bortoleto, que eu encontro aqui em Mônaco de vez em quando...

Rafael Câmara tem talento e provavelmente vai para a Fórmula 1. O Felipe Drugovich, que está na Fórmula E, certamente é melhor do que metade dos 22 pilotos que estão da F1 atualmente. Temos representantes muito bons. É bom ver isso.

Quanto mais o automobilismo ficar forte, mais pistas a gente tiver, categorias nacionais, kartismo, maior fica o automobilismo como um todo e mais forte fica o esporte. Os pilotos top representam um pedaço bem pequeno da economia global do automobilismo, mas motivam mais gente a continuar, motiva mais crianças a começarem e deixam o automobilismo mais forte como um todo. É simplesmente porque o real é desvalorizado em relação ao dólar e ao euro. Se realmente a economia brasileira crescer, se a gente tivesse uma economia forte, na qual houvesse mais patrocinadores, capital e grana entrando, com certeza haveria mais pilotos internacionais nas categorias brasileiras.

Piloto brasileiro faz sugestões para a categoria máxima do automobilismo em entrevista ao Estadão. Crédito:

Conteúdo originalmente publicado por Estadão Esporte. Reproduzido com fins informativos.

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