Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, é transferido para Bangu 8 após audiência de custódia por envolvimento na Operação Unha e Carne.

O ex-prefeito de Belford Roxo, no Rio de Janeiro, Márcio Canella, teve sua prisão mantida pela Justiça após audiência de custódia nesta semana. Detido na terça-feira, 7 de maio, pela Polícia Federal, Canella agora ficará à disposição da Justiça na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Bangu 8, localizada no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.

A detenção de Canella ocorreu durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, que visa desarticular uma organização criminosa com suspeitas de lavagem de dinheiro. O político foi preso em sua residência, um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, conforme informação divulgada por Band Sport.

Ele deixou o cargo de prefeito para concorrer a uma vaga ao Senado pelo União Brasil. A investigação aponta para o uso de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma para o esquema de lavagem de dinheiro, contando com a participação de agentes públicos.

Detalhes da prisão e apreensões com Márcio Canella

Durante a prisão de Márcio Canella, agentes federais fizeram descobertas significativas. No carro do ex-prefeito, foi encontrado um fuzil, arma considerada de guerra e de uso restrito, o que agravou sua situação. Além disso, em sua residência, foram localizadas outras armas, munições e diversos relógios de luxo.

Essas apreensões reforçam as acusações contra o político e são elementos cruciais para o avanço da investigação. A Operação Unha e Carne tem como objetivo principal desmantelar a organização criminosa, que, segundo as autoridades, se beneficiava de um complexo esquema de lavagem de dinheiro.

Operação Unha e Carne e o esquema de lavagem de dinheiro

A Operação Unha e Carne investiga uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro que utilizava postos de combustíveis como fachada para suas atividades ilícitas. O esquema, que operava na Região Metropolitana do Rio, envolveu a movimentação financeira de valores impressionantes ao longo dos últimos anos.

Um Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, enviado à Polícia Federal, indicou que o grupo criminoso teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Este dado sublinha a magnitude das operações financeiras ilegais e o impacto da organização criminosa.

Envolvimento de agentes públicos e possíveis acusações

Além de Márcio Canella, outro nome proeminente foi alvo de um mandado de busca e apreensão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, trata-se do ex-secretário de Polícia Civil do Rio, Marcus Amim. A participação de agentes públicos é um ponto central da investigação, indicando uma possível corrupção sistêmica.

Em nota oficial, a Polícia Federal informou sobre as possíveis acusações contra os investigados. "Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações