A entidade máxima do futebol enfrenta forte oposição da UEFA e União Europeia após anunciar empresa para captar US$ 10 bilhões.
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) está no centro de uma intensa polêmica global após apresentar seus planos para atrair investidores privados. Um dia após o anúncio, a proposta de criação de uma nova empresa, a Fifa Forward Enterprise (FFE), gerou duras críticas de importantes instituições políticas e esportivas em todo o mundo, incluindo a Uefa e a União Europeia.
O projeto visa estabelecer a FFE para gerir as atividades comerciais da Fifa, com uma ambiciosa meta de receita de US$ 10 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 51,2 bilhões. A entidade promete manter o “controle exclusivo” da FFE e a “autoridade exclusiva” sobre a governança do futebol, competições e regulamentos, buscando reinvestir os lucros líquidos no esporte através do Programa Fifa Fast Forward (FFFP).
No entanto, a iniciativa foi recebida com forte repúdio. O comissário europeu Glenn Micallef alertou que a “comercialização desenfreada do futebol se tornou nociva” e que o projeto “ameaça o que faz do futebol o esporte mais popular do mundo”, levantando questões sobre o direito de concorrência, conforme informação divulgada por Gazeta Esportiva.
Fifa Forward Enterprise: Alvo de Controvérsia Global
A Fifa anunciou que a Fifa Forward Enterprise (FFE) seria a nova estrutura para gerir suas operações comerciais, com o objetivo de gerar uma receita expressiva. A entidade estima que somente neste ano a FFE deve gerar US$ 4,2 bilhões, ou seja, cerca de R$ 21,5 bilhões. A promessa é que todos os lucros líquidos sejam reinvestidos diretamente no futebol por meio de um novo mecanismo de financiamento, o Programa Fifa Fast Forward (FFFP), oferecendo benefícios econômicos aos seus membros.
Para concretizar essa visão, a Fifa está trabalhando em parceria com o renomado banco J.P. Morgan e o fundo de investimento Thrive Eternal, fundado por Joshua Kushner. O projeto, que ainda necessita da aprovação do Conselho da Fifa, busca “liberar o potencial comercial” da instituição, alinhando-se a outras estratégias, como o aumento do número de seleções na Copa do Mundo para 64.
Uefa e União Europeia Lideram a Oposição ao Projeto
A Uefa foi uma das primeiras a se manifestar contrária ao projeto da Fifa, afirmando ter visto uma “linha que as instituições que governam o futebol nunca deveriam cruzar”. A entidade europeia argumenta que planos como o aumento da Copa do Mundo para 64 seleções adicionariam partidas “sem interesse”, impactando a qualidade e a relevância do futebol.
A União Europeia, por sua vez, foi ainda mais contundente. O comissário europeu Glenn Micallef utilizou a plataforma X para afirmar: “Não toquem no nosso esporte”. Ele criticou a “comercialização desenfreada” e a ameaça que o projeto representa para a essência do futebol, indicando que a Comissão Europeia “examinará estas propostas com atenção” devido a “questões importantes sobre o direito de concorrência”.
Reações Internacionais e Falta de Devido Processo
Além da Uefa e da União Europeia, a oposição ao projeto da Fifa se espalhou por diversas federações e confederações. A ministra dos Esportes da França, Marina Ferrari, confirmou no X que as instituições do futebol europeu se reuniriam com urgência para discutir o assunto. A Federação Inglesa (FA) declarou-se “profundamente preocupada”, enquanto a alemã (DFB) classificou a proposta como um “ataque absoluto contra o futebol”.
Das Américas e da Ásia, as confederações também expressaram descontentamento. A Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e a Asiática (AFC) lamentaram que o projeto tenha sido divulgado pela mídia antes mesmo que seus próprios membros fossem formalmente avisados. A Concacaf destacou a “profunda preocupação pela falta de devido processo” no comunicado da entidade.
Os Bastidores do Projeto e o Papel de Infantino
Os detalhes do projeto revelam um complexo arranjo financeiro e político. A Fifa, em parceria com J.P. Morgan e Thrive Eternal, busca solidificar sua nova estrutura comercial. No entanto, os bastidores trazem especulações significativas sobre o papel do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que tem demonstrado proximidade com figuras políticas como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o jornal britânico The Times, Infantino poderia se tornar diretor-geral da Fifa Forward Enterprise (FFE), o que potencialmente multiplicaria seus ganhos pessoais. O mesmo veículo noticiou que o dirigente teria oferecido US$ 40 milhões, equivalente a R$ 204,7 milhões, às federações que aderissem à proposta antes de 19 de setembro, um movimento que intensifica o debate sobre a ética e a transparência na governança do futebol mundial.
Perguntas Frequentes
O que é o projeto Fifa Forward Enterprise (FFE)?
O Fifa Forward Enterprise (FFE) é uma empresa proposta pela Fifa para gerir suas atividades comerciais, com o objetivo de acumular US$ 10 bilhões em receita e reinvestir os lucros líquidos no futebol, mantendo a Fifa o controle exclusivo sobre a governança do esporte.
Quais são as principais críticas ao projeto de investimento privado da Fifa?
As críticas se concentram na “comercialização desenfreada” do futebol, que pode ameaçar a essência do esporte. Entidades como a União Europeia levantam questões sobre o direito de concorrência, enquanto federações consideram a proposta um “ataque absoluto contra o futebol” e lamentam a falta de devido processo na divulgação.
Quem são os principais oponentes ao plano de investimento privado da Fifa?
Os principais oponentes incluem a Uefa, a União Europeia (com o comissário Glenn Micallef), a ministra dos Esportes da França (Marina Ferrari), a Federação Inglesa (FA), a Federação Alemã (DFB), a Concacaf e a AFC. Todas expressaram preocupações sérias sobre o impacto do projeto no futuro do futebol.
Qual o papel de Gianni Infantino neste projeto?
Gianni Infantino, presidente da Fifa, é visto como o idealizador do projeto, alinhado ao seu objetivo de “liberar o potencial comercial” da Fifa. O jornal The Times sugeriu que ele poderia se tornar diretor-geral da FFE e teria oferecido US$ 40 milhões a federações para apoiar a proposta.

