Eudinho Filho, CEO da organização Fluxo, reflete sobre a pressão constante e o amor-e-ódio da apaixonada base de fãs de esports.
A torcida do Fluxo, conhecida por sua paixão e engajamento, vive uma montanha-russa de emoções, transformando críticas ferrenhas em apoio incondicional em questão de dias. Essa dinâmica intensa se manifestou vividamente em julho, quando a equipe de Counter-Strike passou de eliminações dolorosas a um título celebrado.
Em meio a essa volatilidade, o CEO da organização, Eudinho Filho, compartilha sua perspectiva sobre como é gerenciar um clube com uma base de fãs tão presente. Ele aborda a pressão do “ganhou ou perdeu”, a importância de blindar os jogadores e a complexidade de equilibrar as expectativas.
As queixas, que incluíam questionamentos sobre patrocínios e até pedidos de “disband”, deram lugar a euforia e promessas de novos títulos após a conquista na LAN em São Paulo. Essa transição rápida da adversidade para o triunfo define a paixão dos fãs, conforme informação divulgada por Dust2.
A Gangorra Emocional da Torcida Fluxo e os Resultados
O cenário mudou drasticamente para o Fluxo em julho. No dia 9, a equipe foi eliminada de dois torneios, gerando uma onda de críticas nas redes sociais. Comentários como “Quando vai ser nosso dia?” e “não sei por que essa line tem patrocinador”, além de “papo de disband”, evidenciavam a frustração. Um torcedor chegou a questionar a parceria com a W7M, empresa pela qual Eudinho Filho chegou ao Fluxo.
Dez dias depois, a narrativa se inverteu. O Fluxo sagrou-se campeão do BetBoom RUSH B! Summit 4, vencendo a Imperial por 3 a 2 na final. A vitória trouxe o carinho de volta, com torcedores celebrando: “Esse time tá muito bom, vão ser muitos (títulos) ainda esse ano”. Essa virada dramática ilustra a natureza efêmera do humor da torcida nos esports.
A Perspectiva do CEO Eudinho Filho sobre Cobranças e Blindagem
Eudinho Filho, o CEO do Fluxo, revelou que já se deixou afetar mais pelas cobranças, que muitas vezes se transformavam em xingamentos. Contudo, hoje ele compreende que, para a maioria dos fãs, o que importa é o resultado. “A torcida só quer saber se ganhou ou perdeu o jogo e é isso”, afirmou o executivo sobre essa dinâmica implacável do cenário competitivo.
Ele reconhece que a pressão é ampla, envolvendo não apenas os fãs, mas também investidores e o reconhecimento do próprio trabalho. Eudinho também foca em proteger os jogadores: “Sempre tentamos explicar que a torcida, muitas vezes, pode ser eufórica. O mais importante é o nosso trabalho individual e coletivo”. Ele destaca que o resultado é uma variável incontrolável, ao contrário da preparação e dedicação.
WOOD7 e a Importância de Construir Identidade com os Fãs
Adriano "WOOD7" Cerato, que atuou no Fluxo entre agosto de 2022 e julho de 2023, ofereceu uma perspectiva de ex-jogador sobre a relação com a torcida. Ele criticou o fato de a organização, em sua época, assumir “como verdade absoluta” o que era dito na internet, sem blindar o time, prejudicando a visão de longo prazo.
Para WOOD7, a interação e o diálogo são cruciais para criar uma identidade com a base de fãs. “Se entrar só para ganhar salário e não criar uma identidade com eles, você vai tomar hate”, alertou. Ele enfatiza que, apesar das críticas, a maioria dos fãs oferece apoio e carinho, mas é preciso se divulgar para conquistar essa afeição.
Engajamento, Marketing e o DNA das Maiores Torcidas de Esports
WOOD7 identifica dois tipos de espectadores que frequentemente criticam: apostadores em lives e torcidas rivais. A questão principal, para ele, é quando a diretoria não consegue separar essas vozes do apoio genuíno. Ele ressalta a importância de um “marketing positivo” e da criação de histórias envolventes que façam os fãs se conectarem com a equipe.
Organizações com raízes no Free Fire, como Fluxo e LOS, tendem a ter as torcidas mais fervorosas. A futura entrada da LOUD no CS reforçará essa tendência. WOOD7 cita vlogs de jogadores como zmb (LOUD) e Cx (treinador do Fluxo) como exemplos de iniciativas que ajudam a construir uma forte identidade e engajamento, fundamentais para o sucesso a longo prazo.
Perguntas Frequentes
Quem é Eudinho Filho e qual sua relação com o Fluxo?
Eudinho Filho é o atual CEO do Fluxo, uma organização brasileira de esports. Ele chegou ao clube através de uma parceria com a W7M e é responsável por gerenciar a equipe e lidar com a intensa relação de amor e ódio da torcida.
Como a torcida do Fluxo reagiu aos resultados recentes da equipe?
A torcida do Fluxo demonstrou uma reação volátil, passando de intensas críticas e questionamentos sobre a diretoria e patrocínios em 9 de julho, após eliminações, para celebração efusiva em 19 de julho, depois da vitória no BetBoom RUSH B! Summit 4 contra a Imperial.
Qual a importância da interação entre jogadores e torcida nos esports, segundo WOOD7?
Adriano "WOOD7" Cerato, ex-jogador do Fluxo, enfatiza que a interação, o diálogo e a criação de uma identidade com os fãs são cruciais. Ele afirma que jogadores que abraçam essa proximidade e trabalham em paralelo com o time tendem a ser mais felizes e a convencer a torcida, evitando o "hate" e a destruição precoce das lineups.
Por que organizações com raízes no Free Fire possuem torcidas tão fervorosas nos esports?
Organizações como Fluxo e LOS, originárias do Free Fire, tendem a ter torcidas mais apaixonadas devido à natureza altamente engajadora e acessível do jogo, que fomenta uma forte conexão e identificação entre os fãs e os influenciadores/jogadores desde o início. A LOUD, com sua entrada no CS, é um exemplo futuro dessa tendência.

