Com promessas cumpridas e polêmicas, presidente da Fifa, Gianni Infantino, enfrenta desarticulação e perde aliados antes da eleição de 2027.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, que completa uma década no comando da entidade, enfrenta um cenário de crescente polarização e perda de apoio em sua jornada rumo à reeleição em março de 2027. Apesar de ostentar recordes financeiros e a ampliação da Copa do Mundo para 48 seleções como trunfos, o ítalo-suíço vê seu projeto de poder balançar.
A principal turbulência recente foi a proposta de criação da Fifa Foward Enterprise (FFE), uma empresa para administrar competições com venda de 20% de suas ações. Mesmo após abandonar a ideia devido à forte rejeição, a controvérsia gerou danos significativos e expôs fissuras profundas na base de apoio do dirigente.
Aliado a outras polêmicas, como a intenção de expandir a Copa de 2030 para 64 seleções e a anulação da suspensão de um jogador após intervenção política, o episódio da FFE provocou o afastamento de importantes confederações e até mesmo críticas de membros de sua própria gestão, conforme informação divulgada por Estadão Esporte.
Crise na Fifa e o Plano Abandonado de Infantino
O conceito da Fifa Foward Enterprise (FFE), que envolvia o americano Joshua Kushner como principal investidor, era o estopim de um desconforto que já fervilhava na Fifa. A intenção de Gianni Infantino de alienar parte das competições, ainda que retirada de pauta, deixou marcas negativas entre confederações nacionais e continentais.
A iniciativa foi publicamente criticada por Kevin Lamour, diretor de operações da entidade, que a classificou como “o projeto de uma pessoa só”. Ele enfatizou que “este projeto não apenas não pode seguir adiante, como chegou a hora de os líderes políticos do futebol fazerem as perguntas certas e tomarem as decisões corretas”, evidenciando a desarticulação interna na gestão Infantino.
Outras questões contribuíram para o cenário de insatisfação, como a controversa anulação da suspensão de Balogun, da seleção dos Estados Unidos, durante a Copa do Mundo, após uma ligação do ex-presidente Donald Trump a Infantino. Essas situações expuseram o presidente a questionamentos éticos e de governança.
Onde Gianni Infantino Perdeu Apoio e Novos Oponentes
Embora uma matéria do The Guardian, anterior ao anúncio da FFE, tenha revelado que mais de 200 das 211 federações nacionais haviam formalizado apoio à candidatura de Infantino, o panorama mudou drasticamente. Entidades europeias, lideradas pela Uefa e seu presidente, Aleksander Ceferin, começaram a retirar o suporte.
Confederações como as da Suécia, Inglaterra, País de Gales e Sérvia demonstraram abertamente o abandono do apoio, e os opositores buscam viabilizar uma candidatura alternativa para a presidência da Fifa. A Concacaf, confederação das Américas do Norte e Central, também se posicionou firmemente na oposição, impulsionando a figura do canadense Victor Montagliani como possível candidato.
Os Aliados Leais de Gianni Infantino no Futebol Global
Apesar das perdas significativas, Gianni Infantino mantém alianças estratégicas. A Confederação Africana de Futebol (CAF), que representa 54 dos 211 votos, surge como um dos alicerces de sua campanha de reeleição. Seu presidente, Patrice Motsepe, chegou a defender Infantino publicamente, elogiando seu “profundo amor pelo futebol” e “compromisso global”.
O Marrocos, potência do futebol africano e co-sede da Copa de 2030, reafirmou seu apoio. O presidente da federação marroquina, Fouzi Lekjaa, parabenizou Infantino por recuar da FFE, vendo a decisão como reflexo de sua “visão de dar prioridade à unidade e à coesão entre as federações membros”. O país também sediará o 77º Congresso da Fifa e a eleição presidencial em 2027.
No continente asiático, apesar das críticas da Confederação Asiática de Futebol (AFC) sobre a “falta de transparência” da FFE, alguns países como Catar, Kuwait, Emirados Árabes, Butão e Sri Lanka emitiram comunicados de apoio a Infantino. O presidente da Fifa fez questão de compartilhar esses posicionamentos em suas redes sociais, assim como postagens de astros como Ronaldo Fenômeno, Andrés Iniesta e Kum Aguero, feitas antes da polêmica da FFE, elogiando a Copa do Mundo.
Conmebol e América do Sul: Silêncio Estratégico?
Na América do Sul, a situação de apoio a Gianni Infantino é nebulosa, com poucas manifestações públicas. A Conmebol, a última a se posicionar enquanto a FFE ainda estava de pé, optou por um comunicado neutro, apenas horas antes de a Fifa anunciar a desistência do projeto. A confederação mencionou a “essência do esporte”, mas sem ataques diretos à entidade ou a seu presidente.
No Brasil, a CBF não se manifestou em nenhum momento sobre as polêmicas ou a candidatura de Infantino. Com apenas 10 países-membros, a confederação sul-americana, junto com a da Oceania (11 membros), é a de menor peso nas eleições da Fifa, o que pode justificar a postura de cautela ou o silêncio estratégico diante do cenário de disputa pelo comando do futebol global.
Perguntas Frequentes
Qual a principal polêmica envolvendo Gianni Infantino na Fifa?
A principal polêmica recente envolvendo Gianni Infantino foi a proposta da Fifa Foward Enterprise (FFE), que visava vender 20% das ações das competições da entidade para investidores privados. Embora abandonada, a ideia gerou forte rejeição e expôs a fragilidade da base de apoio do presidente.
Quem são os principais opositores de Infantino na eleição de 2027?
Liderada por Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, a oposição inclui federações europeias como Suécia, Inglaterra, País de Gales e Sérvia. A Concacaf também se opõe, buscando emplacar seu presidente, Victor Montagliani, como candidato à presidência da Fifa em 2027.
Quais confederações ainda apoiam Gianni Infantino?
A Confederação Africana de Futebol (CAF), com 54 votos, é um dos principais pilares de apoio a Gianni Infantino, com o presidente Patrice Motsepe defendendo-o publicamente. Países como Marrocos, Catar, Kuwait, Emirados Árabes, Butão e Sri Lanka também emitiram comunicados favoráveis à sua gestão.
Qual a posição da CBF e Conmebol sobre as ações de Infantino?
A Conmebol adotou uma postura neutra, emitindo um comunicado cauteloso sobre a “essência do esporte” sem se posicionar a favor ou contra as ações de Gianni Infantino. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não se manifestou publicamente em nenhum momento sobre as polêmicas ou a candidatura do presidente da Fifa.

