Viagens luxuosas, laços políticos e controvérsias marcam a gestão de Gianni Infantino à frente da entidade máxima do futebol.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, desembarcou de um jato em Cali, Colômbia, sendo recebido na pista pelo presidente da Federação Colombiana de Futebol, Ramon Jesurun, um de seus aliados. O encontro visava a participação na posse do novo presidente do país, Abelardo de la Espriella, evidenciando o padrão de atuação do líder da entidade global de futebol.

Acompanhado por Alejandro Dominguez, presidente da Conmebol, Infantino foi elogiado por seu trabalho e pela “enormemente bem-sucedida” Copa do Mundo de 2026. Esta rotina revela a vida de um presidente da FIFA, que envolve a construção de laços com figuras poderosas mundialmente, inclusive com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

Antes da polêmica do plano Fifa Forward Enterprise, Infantino parecia inatingível. Agora, após um pedido de desculpas pela tentativa de vender uma participação na Copa do Mundo masculina para empresas de private equity, ele busca retomar as atividades, enfrentando a ameaça de boicote da UEFA a torneios da FIFA, conforme informação divulgada por BBC Sport.

O Estilo de Vida Presidencial de Gianni Infantino

O cotidiano de Gianni Infantino se assemelha mais ao de um chefe de Estado do que ao de um líder esportivo. Suas viagens são realizadas em jatos como o Qatar Airways Executive, que lhe permitiu realizar até três voos e assistir a dois jogos por dia durante a Copa do Mundo de 2026. Chegadas com comitivas de Mercedes pretas, escoltadas por carros de polícia, são a norma, como observado em sua visita à sede da FIFA em Rabat, Marrocos.

Apesar de seu papel exigir visitas às 211 nações membros para fiscalizar projetos de base, Infantino busca unificar o futebol globalmente, o que demanda constante viagem internacional para reuniões de confederações e torneios. Em abril, as autoridades de Vancouver e da Nova Zelândia negaram seu pedido de uma comitiva de nível quatro, geralmente reservada para chefes de Estado ou o Papa, destacando a percepção de seu estilo grandioso.

O salário de Infantino é proporcional à sua influência: ele recebe cerca de £4 milhões anuais, três vezes mais do que em 2016. Este valor inclui um salário base de £2,2 milhões e um bônus variável de £1,8 milhão, além de um “per diem” de £20.500 para despesas. Seu antecessor, Sepp Blatter, recebia £2,6 milhões em seu último ano. Infantino argumenta que, ao impulsionar receitas recordes e financiar associações membros, ele justifica seu salário.

A Relação Próxima entre Infantino e Donald Trump

A aliança de Infantino com Donald Trump elevou seu status, mas também gerou críticas sobre a priorização de interesses políticos em detrimento das responsabilidades do futebol. Em maio de 2025, Infantino chegou duas horas atrasado para o Congresso da FIFA no Paraguai, após uma turnê diplomática pelo Oriente Médio com Trump, levando a UEFA a acusá-lo de priorizar “interesses políticos privados” e a realizar um protesto.

Outro ponto polêmico foi o Fifa Peace Prize, concedido a Trump semanas antes de os EUA invadirem a Venezuela e lançarem ataques aéreos no Irã. Apesar das queixas, o comitê de ética da FIFA não se manifestou sobre a neutralidade política de Infantino. O presidente da FIFA também fez uma aparição surpresa na reunião inaugural do “Board of Peace” de Trump, criado para supervisionar a reconstrução de Gaza, o que gerou questionamentos, embora o Comitê Olímpico Internacional não tenha visto violação de suas regras.

A proximidade foi intensificada quando o atacante americano Folarin Balogun escapou de uma suspensão após ser expulso na Copa do Mundo. Trump afirmou ter ligado pessoalmente para Infantino pedindo a revisão do cartão vermelho, em um movimento sem precedentes do comitê disciplinar da FIFA. Infantino negou qualquer influência, mas a associação de Trump com a “grande decisão” em um evento na Trump Tower de Nova York alimentou especulações. O ápice dessa relação foi a ligação da investidora privada do Fifa Forward Enterprise a uma empresa ligada ao irmão de Jared Kushner, genro de Trump.

Transparência e Críticas: A Comunicação de Infantino com a Mídia

Questionamentos independentes sobre os métodos e decisões de Infantino são raros, pois ele evita o contato direto com a mídia. Nos últimos quatro anos, ele concedeu apenas duas coletivas de imprensa, ambas com uma hora de duração e realizadas antes do início da Copa do Mundo. Fora isso, Infantino geralmente aparece em entrevistas produzidas pela própria FIFA e divulgadas em seus canais oficiais.

Antes da Copa do Mundo de 2026, Infantino tentou antecipar perguntas sobre preços altos de ingressos e vistos para torcedores. No entanto, em uma coletiva de imprensa, sua resposta de “apenas, sabe, relaxe, descanse” sobre o árbitro somali Omar Artan, que teve a entrada negada nos EUA no Aeroporto de Miami, gerou preocupação e ressaltou a dificuldade de obter respostas diretas sobre questões sensíveis.

Perguntas Frequentes

Qual é o salário anual de Gianni Infantino como presidente da FIFA?

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, recebe um pacote salarial de cerca de £4 milhões anuais, composto por um salário base de £2,2 milhões e um bônus variável de £1,8 milhão, além de £20.500 para despesas anuais.

Quais são as principais controvérsias envolvendo a gestão de Gianni Infantino?

As controvérsias incluem o plano abortado Fifa Forward Enterprise, que visava vender parte da Copa do Mundo a investidores privados, sua proximidade com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, a ameaça de boicote da UEFA e a falta de transparência na comunicação com a mídia.

Como é o estilo de viagem do presidente da FIFA?

Gianni Infantino viaja em jatos particulares, como o Qatar Airways Executive, e utiliza comitivas de luxo e escoltas policiais, assemelhando-se mais a um chefe de Estado do que a um líder de entidade esportiva para cumprir sua agenda global de visitas a 211 nações membros da FIFA.

Gianni Infantino tem laços políticos com figuras de poder?

Sim, Infantino desenvolveu uma relação próxima com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, inclusive entregando-lhe o "Fifa Peace Prize" e participando de eventos políticos, gerando críticas sobre sua neutralidade e a priorização de interesses externos à FIFA.