Los Angeles Lakers agita a agência livre da NBA com Walker Kessler e repete cenário de supervalorização de pivôs na liga.

O Los Angeles Lakers movimentou o mercado da NBA mais uma vez, repetindo uma estratégia de quase uma década atrás ao conceder um contrato milionário ao pivô Walker Kessler. A equipe californiana utilizou sua primeira oportunidade em anos na agência livre para fazer contratações significativas, trazendo nove novos nomes para a temporada 2026/27.

Kessler, que recebia menos de US$5 milhões na última campanha, assinou um vínculo de US$130 milhões por quatro anos, resultando em uma média de US$32.5 milhões anuais. Este movimento inflacionou o mercado para a posição de pivô, criando um novo patamar salarial que já gera expectativas entre outros jogadores da liga.

A situação remete ao ano de 2016, quando o mesmo Lakers surpreendeu ao oferecer US$64 milhões ao pivô Timofey Mozgov. Aquela decisão, que visava forçar os adversários a gastar mais, teve um impacto duradouro, influenciando contratos como o do brasileiro Cristiano Felício, que recebeu US$32 milhões dos Chicago Bulls. A história parece se repetir, mas agora impulsionada pela necessidade e pela valorização renovada da posição, conforme informação divulgada por GERAL.

O Efeito Dominó nos Salários da NBA

O novo contrato de Walker Kessler já estabeleceu uma nova base salarial para pivôs, gerando um efeito dominó imediato na liga. Um exemplo claro é Jalen Duren, pivô do Detroit Pistons, que, após ser All-Star e All-NBA em 2025/26, forçou uma troca para o Sacramento Kings buscando um salário de US$40 milhões anuais.

Duren acredita ter argumentos para receber valores tão altos quanto Kessler, considerando suas recentes conquistas. Este cenário já foi visto há dez anos, quando o acordo de Timofey Mozgov com o Lakers fez com que o brasileiro Cristiano Felício, com médias de 4.8 pontos e 4.7 rebotes no ano anterior, assinasse um contrato de US$32 milhões por quatro temporadas com o Chicago Bulls.

A Estratégia do Lakers: Passado e Presente

Há dez anos, o Los Angeles Lakers, sem um elenco competitivo, utilizou a agência livre para inflacionar o mercado. A equipe fechou com Luol Deng (US$72 milhões por quatro anos) e Timofey Mozgov nos primeiros minutos, visando fazer com que os adversários gastassem mais para montar seus times.

Aquela estratégia foi facilitada por um aumento significativo no teto salarial, que saltou de US$70 milhões em 2015/16 para US$94.1 milhões em 2016/17, impulsionado por um novo contrato de TV. Atualmente, o cenário é diferente, com o CBA (Acordo Coletivo de Trabalho) limitando o aumento do teto a apenas 10%, mesmo com um novo contrato de TV vigente há um ano.

Diferente de 2016, a aposta em Walker Kessler parece vir de uma necessidade genuína do time. Luka Doncic, inclusive, já demonstrava interesse em um pivô com as características de Kessler há mais de um ano, o que indica que o investimento, embora caro, busca preencher uma lacuna importante no elenco.

O Retorno da Valorização dos Pivôs

A NBA é uma liga de tendências, e a valorização dos pivôs está de volta. Jogadores que garantem segundas chances em quadra e utilizam bem o corpo para rebotes ofensivos e defesa estão se tornando essenciais. Steven Adams, por exemplo, que vai ganhar US$13 milhões em 2026/27, receberia um salário ainda maior se fosse agente livre hoje, dada a nova percepção do mercado.

O Charlotte Hornets, por exemplo, pode se beneficiar dessa tendência com Moussa Diabate, um pivô que pegou 42.5% de seus rebotes no ataque. Essa valorização se alinha com a declaração de Steven Adams, que simplifica a função: "ficou fácil jogar de pivô na NBA. Quem souber usar o corpo, vai ganhar mais".

Pivôs Modernos: Adaptação e Nova Tendência

A história da NBA mostra ciclos de tendências na valorização de diferentes posições. Houve a era dos jogadores europeus com habilidades de arremesso, como Dirk Nowitzki, que levou a escolhas como Andrea Bargnani no Draft. Depois, a liga priorizou formações baixas, com jogadores como PJ Tucker atuando como pivô no Houston Rockets, mesmo com 1,96m de altura.

Hoje, a capacidade de um pivô arremessar de três pontos é quase um pré-requisito. Walker Kessler, apesar de uma lesão, mostrou essa versatilidade, acertando seis de oito tentativas do perímetro em cinco jogos na última campanha. A adaptação é crucial, como demonstrou Drew Gooden em 2011, que passou a arremessar de três pelos Milwaukee Bucks para prolongar sua carreira, afirmando: "eu tinha de fazer isso ou não estaria mais na NBA".

Perguntas Frequentes

Por que o Lakers contratou Walker Kessler por um valor tão alto?

O Los Angeles Lakers ofereceu um contrato de US$130 milhões por quatro anos a Walker Kessler por necessidade de reforçar a posição de pivô e em resposta à crescente valorização de jogadores que garantem segundas chances em quadra e defendem bem.

Qual foi o impacto do contrato de Timofey Mozgov na NBA?

O contrato de Timofey Mozgov, de US$64 milhões, concedido pelo Lakers em 2016, inflacionou o mercado de pivôs na NBA. A jogada forçou outros times a gastar mais em posições similares, impactando contratos de jogadores como Cristiano Felício.

Os pivôs estão sendo mais valorizados na NBA atualmente?

Sim, os pivôs estão novamente em alta na NBA. A tendência é valorizar jogadores que utilizam bem o corpo, conseguem rebotes ofensivos e contribuem na defesa, além de desenvolver habilidades de arremesso de três pontos para o jogo moderno.

O que mudou no teto salarial da NBA desde 2016?

Em 2016, o teto salarial da NBA subiu significativamente de US$70 milhões para US$94.1 milhões devido a um novo contrato de TV. Atualmente, o CBA (Acordo Coletivo de Trabalho) limita o aumento do teto salarial a no máximo 10% anualmente, impedindo variações tão drásticas como as do passado.