Catástrofe natural no norte da Venezuela destrói infraestrutura, afeta saneamento básico e agrava escassez em La Guaira e Caracas.

Há duas semanas, uma série de terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 abalou o norte da Venezuela, devastando uma região já marcada por serviços públicos precários. A catástrofe intensificou a crise humanitária no país, especialmente nas áreas de abastecimento de água, saneamento e moradia, afetando milhares de famílias.

Mesmo antes dos tremores, o fornecimento de água potável era irregular, com algumas comunidades recebendo-o a cada dois meses. Com os sismos, a situação se deteriorou dramaticamente, como relatou Juliani Herrera, moradora de Maiquetía, que viu a maioria dos reservatórios das casas ser destruída. Agora, a espera por caminhões-pipa se tornou a única esperança.

O estado costeiro de La Guaira, o mais atingido, outrora um destino turístico caribenho, transformou-se em um cenário de precariedade. Famílias buscam na praia soluções para suas necessidades básicas, um ambiente propício para a propagação de doenças, conforme alertou Beatriz Ochoa, diretora regional do Conselho Norueguês para Refugiados, conforme informação divulgada por GERAL.

Desafios na Recuperação e Moradia Precária na Venezuela

Engenheiros e arquitetos trabalham intensamente para avaliar os danos estruturais nas residências, classificando-as com selos verde (seguras), amarelo (necessitam reparos) ou vermelho (precisam ser evacuadas). A dor da perda é imensa, como expressou Juana Alfonzo, 65 anos, de Catia la Mar, que viu anos de esforço serem desfeitos em apenas 39 segundos.

A casa de Alfonzo, com piso afundado e colunas danificadas, é uma das que receberá o selo vermelho. Gustavo Duque, prefeito de Chacao, bairro de classe média de Caracas, ressalta que o selo vermelho não implica necessariamente demolição, mas sim a necessidade de uma avaliação técnica aprofundada para determinar a possibilidade de recuperação.

Em La Guaira, mais de 800 prédios foram afetados, resultando no desabamento total de 190 estruturas. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que os terremotos causaram 3.811 mortes, deixaram 16.740 feridos e 17.907 desabrigados. O Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres estimou os danos físicos em cerca de US$ 37 bilhões, o equivalente a 6% do PIB venezuelano.

Apelo Internacional e Sanções Econômicas Venezuelanas

Diante da catástrofe, a líder interina do país, Delcy Rodríguez, fez um apelo urgente para a liberação de recursos venezuelanos bloqueados no exterior. Ela enviou uma carta ao rei da Inglaterra, solicitando o descongelamento das reservas de ouro do país no Banco da Inglaterra, retidas devido a sanções econômicas impostas por Estados Unidos e União Europeia.

A ONU, por sua vez, busca arrecadar cerca de US$ 300 milhões para auxiliar na recuperação da Venezuela. As sanções, que se intensificaram nas últimas duas décadas, são alvo de críticas e têm sido gradualmente flexibilizadas. Contudo, a resposta do governo ao desastre tem sido alvo de contestações por parte da população, que a considera lenta e insuficiente.

Rodríguez rejeitou as críticas, atribuindo-as a "laboratórios midiáticos