UEFA mantém desconfiança em Gianni Infantino e alerta para boicote a competições da FIFA. FA inglesa retira apoio ao presidente.

O futebol europeu pode boicotar competições da FIFA, incluindo a Copa do Mundo, devido à persistente crise de confiança em Gianni Infantino. A UEFA afirma que a defesa do presidente pela FIFA "não muda nada" em sua postura.

A Federação Inglesa (FA) retirou formalmente seu apoio a Infantino. A medida reage ao plano de vender participações em torneios para investidores privados, proposta da FIFA que foi duramente criticada pela UEFA e depois abortada.

A entidade europeia insiste que suas condições para solucionar a crise não foram cumpridas, mesmo com o recuo da FIFA. Esta situação revela uma profunda divisão na cúpula do futebol mundial, conforme informação divulgada por BBC Sport.

UEFA Mantém Posição Firme Contra Infantino e FIFA

A UEFA reiterou que as propostas para a venda das principais competições da FIFA deveriam ser integralmente retiradas, e que garantias deveriam ser dadas de que "tais tentativas de desfigurar o jogo desta forma nunca mais serão feitas". Segundo a entidade europeia, nenhuma dessas condições foi cumprida. A UEFA já havia expressado sua perda de confiança em Gianni Infantino, descrevendo a proposta da Fifa Forward Enterprise (FFE) como um "acordo sujo, de bastidores e opaco".

A FIFA reconheceu "erros" na gestão do FFE durante uma reunião na quarta-feira, admitindo que "não era intenção" que o Conselho da FIFA e as associações membro se sentissem excluídos do processo. No entanto, para a UEFA, este reconhecimento e o anúncio de que funcionários da FIFA concordam com seu presidente "não mudam nada" em sua posição de desconfiança em relação à presidência de Infantino.

A Consolidação do Poder de Infantino na FIFA

Apesar da forte oposição da UEFA e da retirada de apoio da FA, Gianni Infantino parece ter consolidado sua posição internamente na FIFA. Em um encontro em Rabat, Marrocos, Infantino convocou membros da diretoria de gestão da FIFA para discutir os eventos recentes. Nomes como o secretário-geral Mattias Grafstrom, que criticou internamente as propostas do FFE, foram vistos ao lado de Infantino em um jogo na África, aparentemente superando as divergências.

A reunião, que incluiu o chefe de finanças Thomas Peyer, o chefe jurídico Emilio Garcia Silvero e outros diretores, levantou questionamentos sobre a verdadeira responsabilização. Funcionários como o diretor de operações Kevin Lamour, que criticou abertamente o plano FFE como "o projeto de uma pessoa" e não foi convidado para a reunião, reforçam a percepção de que houve uma blindagem de Infantino dentro da própria FIFA.

A Estratégia do Boicote da UEFA e Suas Dificuldades

A UEFA enfrenta um dilema ao tentar remover Infantino, que não mostra intenção de renunciar. Embora o futebol europeu seja uma força considerável, a confederação tem encontrado dificuldades para obter apoio suficiente de outras federações. Apenas a Jordânia declarou publicamente que não votará pela reeleição de Infantino em março, enquanto outras confederações, como a Concacaf e a Conmebol, adotaram posições mais cautelosas, sem expressar perda de confiança.

A opção de um boicote permanece como o principal trunfo da UEFA. No entanto, acionar essa medida "nuclear" é uma decisão complexa, que pode ser vista como uma imposição do futebol europeu sobre o resto do mundo. A Confederação Europeia também considera um voto de desconfiança ou a busca por um candidato unificado para as eleições de março, mas ambas as opções exigem um apoio massivo que parece distante no momento, com a Copa do Mundo Feminina Sub-20 na Polônia já em 5 de setembro.

O Futuro Político da FIFA e as Eleições Presidenciais

A UEFA idealmente buscaria uma reunião de emergência do Conselho da FIFA para responsabilizar Infantino, mas precisa do apoio de 19 dos 36 chefes de confederações e associações, o que se mostra "excepcionalmente difícil". Uma moção de não confiança exigiria 106 dos 211 votos das associações membros da FIFA. Caso a UEFA não consiga esses números, a alternativa seria encontrar um candidato forte, como o presidente da Concacaf, Victor Montagliani, para concorrer contra Infantino na eleição de março.

Qualquer atraso joga a favor de Infantino, que pode usar o tempo para construir pontes e oferecer novos financiamentos às associações membro, como incentivo para sua reeleição. A estratégia da UEFA será testada em breve, e a capacidade de unificar as confederações mundiais será crucial para qualquer tentativa de mudança na liderança da FIFA.

Perguntas Frequentes

Por que a UEFA ameaça boicotar a FIFA?

A UEFA ameaça boicotar a FIFA devido à sua perda de confiança na liderança de Gianni Infantino, após o plano, considerado "vergonhoso", de vender participações na Copa do Mundo a investidores privados por meio da proposta Fifa Forward Enterprise (FFE).

Qual foi a reação da Federação Inglesa (FA) a Gianni Infantino?

A Federação Inglesa (FA) retirou formalmente seu apoio a Gianni Infantino, presidente da FIFA, em resposta ao polêmico plano de vender participações nas principais competições da entidade para investidores privados, reforçando a crise interna.

Gianni Infantino pode ser removido da presidência da FIFA?

Remover Gianni Infantino da presidência da FIFA é um desafio para a UEFA, que enfrenta dificuldades para reunir o apoio necessário de outras confederações para um voto de desconfiança ou para apresentar um candidato forte nas próximas eleições de março, apesar das críticas.

O que foi a proposta Fifa Forward Enterprise (FFE)?

A Fifa Forward Enterprise (FFE) foi uma proposta de Gianni Infantino para vender participações nos principais torneios da FIFA, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina, a investidores privados, oferecendo US$ 40 milhões às associações que apoiassem o plano.